terça-feira, 16 de março de 2010

Sonho desesperador

Acordei hoje cedo (meio dia, mais ou menos) depois de um sonho desesperador.


Um cara do qual não conseguia ver o rosto (nunca vejo rostos em sonhos) chegou perto de mim dizendo: "fica esperta com aquele blog, porque tem gente roubando seus textos".
Confesso que acordei assustada, mas passou assim que me enfiei embaixo da água fria do chuveiro. A preocupação passou logo em seguida. 
Até em sonho eu sou prepotente! Quem roubaria essas porcarias? Coisas tão pessoais e tão sem graça. Eu mesmo não gosto de muita coisa depois de uns dias...
Deixa pra lá.
O interessante mesmo, pra mim, é que quase nunca lembro dos meus sonhos. Já ouvi dizer que sonhamos a noite toda, que ninguém fica sem sonhar. Mas estou com preguiça de pesquisar isso agora. 
Ouvi também que nossos sonhos duram milésimos de segundos. Que parece que a gente sonhou a noite toda, mas, na verdade, foram pouquíssimos instantes. E o sonho que lembramos é o último que tivemos. Por ser mais impactante, acabamos acordando.
Normalmente são sonhos assustadores, ou muito, muito agradáveis.
Eu já tive muito sonho estranho. Durante anos da minha vida sonhava que estava indo pra Coke Luxe (salão daqui). Antes de sair, olhava no espelho e também para meus pés. Usava sempre uma bota preta, de cano alto e bico fino (que eu já não tinha há anos). No meio do caminho, ou no meio da balada, olhava para baixo e percebia que estava descalça. Procurava como uma louca minhas botas, não as encontrava e desistia. Voltava pra casa descalça e, já em casa, as botas estavam novamente nos meus pés.
Por anos, como já disse, tive esse sonho. E queria muito saber porquê. Não acredito em sonhos como premonições, mas como algo guardado no nosso subconsciente que nos incomoda, sem percebermos, e se manifesta oniricamente.
Parei de ter esse sonho quando encontrei um cara numa vigília do Encontro de Jovens. Ele não me era estranho, mas não conseguia lembrar de onde o conhecia. Minha amiga, vendo que eu não parava de olhar pra ele, nos apresentou. Quando ela disse seu nome eu me lembrei quem era. Quatro anos antes, estava indo pra Av. Portugal (quando aquilo era bom) e, no meio do caminho, fui assaltada por esse elemento. Voltei pra casa descalça e, no outro dia, só de raiva comprei dois tênis. Esses duraram muito tempo porque tinha medo de sair de casa com eles. E a partir daí parei de sair. 
Fiquei traumatizada (sou  até hoje), aos poucos fui parando de sair e sei agora que aquele sonho representava o medo que eu tinha de me acontecer algum mal na rua e a segurança que eu sentia em casa.
Me lembro de uns outros sonhos estranhos, mas só me lembro por isso: por terem algum impacto, ou por se repetirem várias vezes.
Sonhar com uma transa é uma maravilha! Pena que faz tempo que isso não acontece. O jeito é fazer de verdade mesmo.
E sonhar que se está caindo. Uma agonia danada. E sempre se acorda quando se vai bater no chão. Dizem que quem sonha com isso, e chega ao chão, não acorda. Eu sempre gostei da agonia desse sonho. E sempre quis chegar ao chão. Ou já cheguei, não me lembro e essa teoria é furada, ou não cheguei ainda.
Mas o melhor de todos (confessem) é aquele em que sonhamos que estamos chegando em casa super apertados, morrendo de vontade de fazer xixi e a porta não abre, e tem gente no banheiro, e a vontade aumenta e aumenta... E conseguimos, finalmente, entrar no banheiro, fechar a porta, abaixar as calças e nos aliviarmos... Ah! que delícia, pensamos. E percebemos um calorzinho gostoso, depois uma umidade que incomoda e acordamos. PQP! 
Agora, o que pega mesmo é a paralisia do sono. 
Acordei e continuei deitada, tentado dormir de novo. Virei para a parede e percebi alguém entrando no meu quarto. A pessoa sentou na minha cama, senti o colchão abaixando e não conseguia me virar para ver quem era. Essa pessoa começou a apertar meu pescoço e eu não conseguia me mexer. Ela soltou e eu consegui me mexer. Levantei a perna e dei com tudo na pessoa sentada na minha cama. Não tinha ninguém. Caí da cama, bati a cabeça no violão que estava ao lado e fiquei sem saber o que tinha acontecido.
Outra vez, acordei e olhei pra porta do meu quarto aberta. Sentia um calor insuportável e via uma luz laranja muito forte do lado de fora. Minha casa pegava fogo e, mais uma vez, não podia fazer nada. Foi um dos piores sentimentos que tive, fiquei realmente desesperada. Tentei gritar e não conseguia. 
Claro que consegui, depois de uns instantes, me levantar e correr dali. E saí do quarto descabelada, de camiseta e calcinha, com meus discos nas mãos e os amigos do meu irmão jogando video game na sala.
Depois minha professora de psicologia me explicou o que era isso. Disse também que podia acontecer pouco antes de a pessoa dormir, mas era mais raro. Meu caso era mais comum e minhas alucinações não eram tão assustadoras quanto muitas outras que ela já ouviu. E que muitos ficavam realmente atormentados por isso, mas até que eu lidava de uma forma engraçada. Engraçada porque não foi ela quem passou vergonha!
Lembrei-me agora que essa professora achava que eu era psicótica. Certo dia ela me chamou depois da aula pra conversar. Disse que sempre me ouvia dizer que eu não tinha dormido e estava preocupada porque não era normal uma pessoa não dormir.
Se dormir desse dinheiro, eu seria milionária! Dormir é a coisa que eu mais gosto de fazer. Mais do que comer, beber, fazer sexo. Mais que tudo. Queria arrumar um emprego de testar colchões. Dormiria meia hora em um, meia hora em outro... Que beleza! Trabalharia 15 horas por dia, sem problemas.
Ela me disse que cada uma tinha sua necessidade e que ela, por exemplo, precisava de três horas somente de sono pra acordar bem. Psicótica era ela! Onde já se viu, ir dormir às duas da manhã e acordar às cinco e se sentir bem assim!
Eu preciso de dez horas pra acordar bem. E preciso acordar sozinha. Sem despertador, sem gente gritando...
Se eu for acordada não naturalmente, fico mal o dia todo. E de mal humor o dia todo também.
Na época da faculdade, tinha um problema. Eu trocava o dia pela noite. Passava a noite lendo, ou desenhando, ou escrevendo. Queria muito achar as coisas que escrevia naquela época. Eram bem melhores. E dormia de manhã. Trabalhava à tarde, estudava à noite...
Só que, caso esquecesse da hora, e visse que tinha amanhecido, não conseguia dormir mais. Então, virava e mexia eu dizia que não tinha dormido. A luz do sol me incomodava. Tinha olheiras, era magra. Vivia de café e cigarro. 
Hoje eu durmo. Mais do que deveria. Ainda tomo muito café, ainda fumo muito, mas como também e não troco mais o dia pela noite, a não ser que tenha um ótimo motivo. 
Como foi que cheguei até aqui mesmo?
Sei lá. Essa professora também me disse que eu era narcisista e egocêntrica, por causa das estrelas que costumava rabiscar no caderno enquanto ela dava sua aula. 
Eu não consigo me concentrar no que uma pessoa fala se precisar olhar pra ela. Tem gente que me acha arrogante porque não presto atenção em nada. Mas é justamente o contrário. Se eu olhar pra pessoa enquanto ela fala, em segundos eu começo a viajar e pensar em milhões de outras coisas que nada tem a ver com o assunto em questão. Viajo mesmo.
Quero saber quem foi o imbecil que inventou que a pessoa que não olha nos olhos enquanto conversa é falsa. Sou, na pior das hipóteses, tímida. Então, enquanto converso, estou sempre rabiscando estrelas. Ou dobrando algum papel. Gosto de fazer pererecas de papel e, depois de prontas, ficar fazendo-as pular pra tentar acertar o copo. Toda vez que estou no balcão do Alex, faço minhas dobraduras e começo... E sempre tem um ou dois tontos como eu que começam a apostar. Quando vejo, tem perereca pulando pra tudo que é lado e o assunto já se foi. E, uma hora depois, depois que todos já se esqueceram da conversa, eu dou minha visão geral sobre o assunto. "Que? Tá doida? Tá falando do que? "Ninguém mais lembra do papo e eu que não presto atenção.
Ah! E, apesar de narcisista e egocêntrica eu não gosto de me mostrar. Entre as estrelas rabiscadas sempre tinha minha assinatura, não legível. Isso mostra que eu penso que o universo gira em torno de mim, mas não quero que todos saibam que eu penso assim. Pra mim, basta. Contraditório?
Sei lá pra que serve esse blog com posts tão pessoais e sei lá porque escrevi tudo isso aqui, se não foi pra me mostrar!
Mas gostei da interpretação da 'prô'.
Bom, voltando a um ótimo motivo pra não dormir, digo que hoje tenho um. Aliás cinco!
Sete filmes pra devolver amanhã. Cinco que eu ainda não assisti.
Vou fazer isso agora!
Boa noite aos insones...

Um comentário:

TATI disse...

Os sonhos são muito relacionado com o que agente está vivendo no momento, semana passada quando minha filhinha estava doente (ainda está se recuperando)eu sonhei com minha tia me dizendo que minha filhinha estava com febre, acodei e estava mesmo.