segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Caminho de casa

É interessante como conhecemos as pessoas.
A maioria dos amigos que fiz foi falando sobre música, ou livros (quando ainda podia falar sobre isso).
Dificilmente saio de casa pra ir a algum lugar longe. Tudo que faço é por aqui mesmo: trabalho, lazer... Centro dessa cidadezinha, então, nem pensar! Pago contas por telefone pra não ter que ir até lá. Isso me limita muito.
Costumo dizer que não gosto de gente, mas é mentira. Gosto sim, das pessoas, e muito. Mas gosto de pessoas interessantes. Dia desses uma carinha disse que eu sou arrogante e eu não gostei nada disso. Mas, pensando bem, sou arrogante, sim.
Eu tenho dificuldade em me relacionar bem com quem eu não tenha afinidades. Me considero melhor que muita gente em alguns aspectos (que pra mim são os aspectos mais importantes). Sou pior em tantos outros, mas são aspectos que não me importam. Então, acabo pensando que nem todo mundo merece minha companhia.
Isso não é arrogância?
É, mas não me sinto mal por isso. Assim me aproximo só de quem realmente me interessa.
Voltando ao fato de eu ser meio bicho do mato, não saindo de casa pra quase nada, me deparo com uma solidão que eu gosto muito e que, ao mesmo tempo, me deixa agoniada.
Quando estudava em Santana, no metrô, só deixava de prestar atenção ao livro que estava lendo e à música que estava ouvindo quando encontrava alguém fazendo o mesmo que eu. Tinha curiosidade em saber o que a pessoa estava lendo, e ouvindo também. Achava que situações assim trariam ótimas oportunidades pra conhecer pessoas interessantes, mas nunca me atrevi a comentar com ninguém sobre sua leitura.
Se tivesse coragem, puxaria assunto. Isso poderia levar a uma conversa inteligente. E conversas inteligentes me atraem muito. Mas não fiz.
Pensava que a pessoa que estava ali, à minha frente, também tentando ver o título do meu livro, podia ter a coragem que eu não tinha e começar a conversa. Também não aconteceu.
Acho que quem entra em um transporte público com um livro na mão e fones no ouvido é antissocial, como eu.
Não saia de casa sem um bom livro na bolsa. Primeiro porque não dá pra aguentar 40 minutos num trem da CPTM sem ter pra onde olhar senão praquela gente estranha que fala alto sobre a novela ou a vida da vizinha. Depois porque não queria que alguma dessas pessoas viesse conversar comigo justamente sobre esse tipo de assunto.
Sou seletiva. Só conversaria com quem fosse como eu.
Acontece que quem é como eu também não quer conversa.
Parei o curso, nunca mais entrei em um trem...

Emprestei um livro pra minha sobrinha Os Sofrimentos do Jovem Werther - Goethe.
Estava ela no trem, com o livro nas mãos, mas não o estava lendo. Estava vendo outra coisa em uma pasta, sei lá. O importante é que o livro estava por baixo da pasta e um cara que estava sentado o viu. E puxou assunto. Falou sobre o livro e pediu a ela seu telefone, pra que pudessem trocar ideias sobre ele.
A danada disse que o livro não era dela (acho que não foi com a cara do cara), explicou que a tia tinha emprestado e deu meu telefone pra ele!
Eu passei um ano no trem e no metrô, às segundas e quartas-feiras, esperando que alguém tão interessante quanto eu (modéstia à parte) se aproximasse justamente por alguma afinidade como essa e, quando estava quietinha na minha casa, meu telefone toca e alguém de quem nunca tinha ouvido a voz, nem visto o rosto, resolveu me ligar porque tinha essa afinidade e eu nem sabia.
Acabou dando certo: conheci alguém que gostava de ler no trem!
Conversamos sempre. Ainda não nos vimos. Mas são poucas as pessoas com quem consigo conversar até acabar a bateria do telefone. Falamos sobre assuntos sérios, falamos sobre futilidades também. Até a futilidade fica interessante quando conversamos com alguém inteligente. As piadas são mais egraçadas, as conversas mais cativantes...
Sinto falta de ter esse tipo de conversa numa mesa de um barzinho, tomando um vinhozinho...
Mas tá bom. O importante é que fiz um amigo a caminho de casa, quase como eu queria. Bastou somente que um de nós saíssemos e que o destino desse um empurrãozinho!!!

Ah, tem mais pessoas as quais nunca vi pessoalmente (uma delas nem por foto, né, seu bicho ruim?) que conheci sem querer e que adoro muito hoje: Anna, Adriano, Karina (com quem não converso faz tempo mas gosto do mesmo jeito), Juan (meu amigo quase imaginário - e bota imaginação nisso!), Paulo, Fabio, Marcelo... Mas esse povo conheci na net e isso é assunto, talvez, pra outro post.

2 comentários:

alex disse...

Foi maravilhoso passar alguns minutos lendo seus artigos.
Obrigado!!!

Soninha disse...

Eu que agradeço, Alex.