terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Out of This World

Deslocada.
Parece-me que pessoas minimamente interessantes enfiaram-se em algum abrigo nuclear para fugir de tanta imbecilidade e eu não fui convidada.
Talvez por que seja desinteressada. Talvez, desinteressante... 
Deslocada: essa é a palavra! Apoderando-me dos dizeres de alguém querido: "um urso polar no deserto" (e talvez tenha sido isso que me encantou).
Desculpem-me. Não me lembro mais o que é ter paciência, e não quero lembrar.
Tolerar o que incomoda por simpatia embrulha-me o estômago. Prefiro ser antipática e estar sozinha.
E estar sozinha não dói.
O que dói (se é que se pode chamar assim) é se saber único. Pode parecer pretensão, mas que me importa o que parece?
Importa-me encontrar alguém se identifique.
Se acontecer, identifique-se, por favor.
Pra que eu não seja tão única assim.

TIOLI

Eu comecei, eu aguento.
Eu termino.
Não tão cedo quanto pretendias.
Não tão rápido como preferias.
Mas eu termino.
Prometo que termino. E faço agora.
É o que queres, não?
Pois não importa.
É o que eu preciso. 
"Leave me alone..."
Understood, my dear.
Completely understood.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Under Control

Se passear por aí vai ver uma meia duzia de amores efêmeros - típicos de quem nasceu sob esse sol. Eu culpo o sol pela minha displiscência afetiva e vivo muito muito bem assim. 
Vivi. Fui inventar de me afeiçoar por um nativo do meu inferno astral (como se isso fosse o real problema).
Não é capricho, não é alguém em quem esbarrei e cismei, como em todas as outras vezes. É de verdade e dói. Deus, como dói!
Eu, que sempre discursei  sobre a não-necessidade de se ter outro alguém pra ser feliz e que sempre declamei com toda segurança minha independência emocional me vejo acuada, insegura... triste.
Sinto falta do que não tive, do idealizado, do que existe só na minha cabeça.
Nenhuma promessa me foi feita, nada ficou nas entrelinhas... Enfim, não há culpa.
Ou há.
Há culpa neste sorriso, nesta voz e neste jeito de falar; há culpa nesta aparência por vezes frágil que me faz ter vontade de te cuidar... Sei que esse encanto não é proposital. Apenas é.

Esperei por esse dia por meses, pois sabia que seria um dos melhores dias da minha vida. Tudo correu melhor do que eu esperava: tinha ótima companhia,  meus medos (andar sozinha, multidão...) não me aterrorizaram e o dia foi muito agradável, como não acontecia há tempos. Mas não foi perfeito. 
Não foi perfeito porque nesses meses todos só pensava em ter você ali do meu lado nesse dia. Só nesse dia. Não precisava ser um amor eterno, nem precisava ser amor. Mas eu precisava desesperadamente de você ali, naquele dia. E você não estava... E foi como se eu também não estivesse.
Então que percebi, relutante, o que tanto evitei.  
E dói! Deus, como dói! 

But "I don't wanna wast your time..."

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

"I was fine before you walk into my life"

Não que eu não esteja bem agora. Mas naquela época eu era despreocupada. 
E gente despreocupada é mais feliz.
Não que me preocupe agora.
É que naquela época você não importava.
E quem não se importa é livre.
Antes era tudo mais simples: eu ia, você ia e a gente nem se via.
Eu bebia, você bebia e ninguém sabia.
Eu não sabia. 
Um dia, me pareceu que você sabia.
Um dia, me pareceu que você se importava.
Um dia, me pareceu que eu importava.
Um dia, me pareceu que você me via.
Nesse dia, eu me prendi.
Me prendi a um olhar, um sorriso ébrio...
A um par de tênis rasgado.
E, a partir daí, você se libertou. 
E eu me perdi...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Disfarce

Novamente: "I really don't know what I'm doing here".
Passei pra dar um 'oi' pra mim. 
Queria falar sobre uma coisinha ou outra que aconteceram por esses dias, mas não consigo ser implícita. Nunca! 
Se falar sobre, vai ser na lata. E assim não posso.
Queria saber me valer da poesia, das entrelinhas, da beleza das palavras pintando uma cena que necessariamente tem de ficar eternizada, pois isso é o máximo que conseguirei disso tudo.
Mas não posso.
Sei que, se começar, daqui a duas linhas tudo que tento esconder por trás das palavras saltará escandalosamente dos meus dedos e ficará fazendo festa pela tela, assim como algo festeja aqui dentro.E, assim, cairá o disfarce outra vez.
Então, vou ficar quietinha. Quieta com essa cara de tonta. 
Já tentei desfazer esse semblante. Juro que tentei. E, simplesmente ele não some.
"O que foi, Soninha?" 
"Nada, não. Tô só lembrando de uma coisa".

Quietinha. Tenho de ficar quietinha. 
Mas eu precisava muito falar! 
E precisava de muitas outras coisas também.
Eu não esperava. Eu nunca esperaria. 
E não era necessário agradecer. 
Tomar uma cervejinha, ouvir música boa e ver quem eu amo não é sacrifício algum.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Um Simples Abraço.

Há coisas que nos apertam o peito, lá dentro, bem no fundo e acabei de me deparar com uma dessas.
Não, não vou dizer o que foi, mas tento descrever o que senti. É uma angustia boa. Como? Não sei se sou capaz de explicar.
Eu nunca ouvi falar em angústia boa. O que mais se aproximaria seria a ansiedade, mas esta só existe quando se espera algo. Eu não espero nada. E menos ainda sou esperada. Mas a sensação é essa: parece que uma brisa fresca sopra o coração da gente.
Nossa! Eu tenho um coração!
Bem, parece que um ventinho sopra por dentro da gente. Não são aquelas borboletas no estômago, que sim, existem, e que batem asas quando alguém de quem a gente gosta aparece de repente,  ou quando nos roubam um beijo. É diferente. Talvez um sopro de esperança, não sei em que. 
Acabei de dizer que não espero nada. E agora falo em sopro de esperança. Cada vez mais me convenço de que sou a personificação da contradição.
Volto, então, no que vi e que me deixou assim: um carinho extremo, uma sensibilidade imensurável. Algo que me tocou bem de longe. Muito longe. E que fez com que eu me perguntasse se um dia sentirei isto de perto, se realmente existe, se é possível que eu também seja sensível...
... E, principalmente, se eu mereço essa brisa em mim.

domingo, 26 de junho de 2011

Domingo... Chuva...
Nessas horas, somente nessas horas, sinto vontade de ter alguém legal pra ficarmos juntinhos embaixo das cobertas vendo um filme mamão-com-açúcar, como 500 Days of Summer ou Just Like Heaven. Mas isso é coisa que dá e passa. É só o tempo melhorar, o sol aparecer, que a sede volta e essa sensação piegas se esvai.
Será que é por isso que gosto tanto de frio?

Trouxe todos os meus diários para casa. Atividades e provas também. Aproximadamente 600 notas pra fechar e tive quatro dias pra isso. Ainda não fechei nenhuma. Na quinta, me senti uma adolescente quando levei bronca da minha mãe pela bagunça do meu quarto. CDs e livros organizados, roupas lavadas e dobradas e minha parede de estrelas limpinha - tem que aspirar porque a fiz com TNT.
Sexta-feira: sentei na calçada pra tomar umas latinhas com as amigas. Passei no bar só para dar um oi, às cinco e meia da tarde, mais ou menos, e fiquei até as onze.
Ontem: fiz p**** nenhuma. Só procurando musicas novas (pra mim, pelo menos) e baixando e ouvindo. Seria bom se pudesse ganhar dinheiro por música ouvida.
Hoje: menos ainda. Mudando a playlist do meu Mp3. É, eu uso mp3. Já está bom demais pra quem chorou até ganhar um walkman, aos dez anos de idade, porque não aguentava mais ouvir a rádio Cidade sintonizada pela irmã mais velha todo santo dia, das oito da manhã até as seis da tarde. Só porque era ela quem limpava a casa ela podia escolher a rádio? Quando meu pai me deu o walkman, vermelhinho, pude ouvir a Pool FM em paz (tenho certeza que quase ninguém se lembra dessa). Depois virou 89, a Rádio Rock e mais depois rock passou a ser coisa que não se ouve em SP. A única rádio boa foi vendida pouco tempo atrás. Ou seja: não ouço rádio há uns bons dez anos. Ainda bem que tem a internet. Porque antes eu gravava as músicas legais em fitas K7 pra ouvir no meu walkman. Ainda tenho um aparelho de som "duplo deck", no qual pode-se ouvir uma fita e, quando essa acaba, a outra começa a tocar sem que se tenha o trabalho de trocar. E, claro, com auto reverse. Não precisa virar a fita. Um luxo!
Aparelho de vinil não tenho mais, mas ainda sobraram uns discos. Uma meia duzia: Smiths, Cure... Pouca coisa. Meu primeiro disco foi comprado graças a uma mentira. Pedi dinheiro ao meu pai para comprar uma camiseta e voltei com o The Head on The Door pra casa.
Fui procurar uma imagem de walkman vermelho no Google e descobri que o Google é muito novinho para essas coisas. Havia umas três imagens, somente, desse aparelho. Duas das quais amarelas. As outras eram de aparelhos celulares.
Joguei minhas fitas fora tem um mês, mais ou menos. Mas não antes de ouvi-las, anotar o que tinha e baixar uma por uma. Todas eternizadas no HD. Se não der pau, obviamente.
Durante a arrumação do quarto encontrei algumas fitas VHS. Algumas delas foram gravadas durante uns anos assistindo ao Clip Trip, um programa musical da Gazeta. Também tinha o Kliptonita, na Record.
O Clip Trip passava às cinco da tarde e reprisava no outro dia às onze da manhã. Eu via o da tarde e, se tivesse algo legal, assistia o das onze pra gravar. E assim ia, até encher a fita.
Certa vez passou um especial do Cure e eu não tinha fita mais. Tive de colocar um pedaço de durex onde a fita tinha a trava que, se arrancada, não podia ser mais gravada. Peguei uma fita de novelas da minha irmã, a mesma da rádio Cidade, e foi um quebra pau danado por isso mais tarde. Eu assisti à inauguração da MTV, numa TVzinha pequena, porque na normal não pegava com bombril na antena. E pasmem, a MTV já foi boa!
Sim, ainda há um video cassete na minha casa. Não sei se funciona. Vou verificar depois.
Meu primeiro vídeo game era um teclado ligado à TV, e os jogos eram gravados em fitas, como as fia cassetes. O Atari veio um pouco depois. Aposto que ninguém ganharia de mim no H.E.R.O.
Voltei um pouquinho pra ver o começo do post e, claro, viajei outra vez. Nada disso tem a ver com o frio, com a vontade de ter alguém do lado, filmes... Muito menos com as provas que tenho que corrigir.
Será que não tem mesmo?
Eu não estou com vontade de trabalhar num domingo de chuva. Portanto, ou eu vejo um filme, ou leio um livro. Estou olhando pro Laranja Mecânica (o livro) e a única coisa que consigo pensar quando o vejo é que meu ingresso pra Planeta Terra está dentro dele.
E ainda bem que não costumo colocar tags nos posts. SE colocasse, elas ficariam maiores que o próprio!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Mais clichês

 Imagem: O All Star azul
O espaço das não novidades, onde nada é inedito ou útil.
Tudo que penso já passou pela cabeça de alguns e talvez esse seja o motivo pelo qual só eu passe por aqui. Bem, nem eu, ultimamente.
Às vezes preciso dar uma passadinha. Seja para escrever algo nada excepcional, seja pra ler qualquer coisinha registrada. Vou ali buscar uma citação de Oscar Wilde e já volto: "Nunca viajo sem o meu diário. É preciso ter sempre algo extraordinário para ler no comboio.”.
Poderia ser por isso que volto, mas não é.
Esqueço o que escrevi, o que falei e até mesmo o que ouvi - principalmente isso. Portanto, essa necessidade de deixar em algum lugar algumas coisas que penso vez ou outra se faz presente (não há como não lembrar de certo alguém quando uso essa expressão)
Poderia ter um "querido diário", ou somente continuar a rabiscar livros e pedaços de papel que encontro nas horas em que não estou em frente ao computador. Mas o narcisismo me impede de guardar esses pensamentos só pra mim, ainda que sejam inúteis. Totalmente inúteis. 
Não consigo pensar nem em um nome pra esse espaço! Mas tudo bem, é meu mesmo. Só eu vejo. 
Os rabiscos perdidos pelos livros e papéis até chegam a ser interessantes em certos momentos. Mas não sou de passar a vida a limpo. Eles continuam perdidos pelo meu quarto. 
Vez ou outra, quando arrumo uma gaveta, encontro um deles e penso: "não, não fui eu quem escreveu isso!"
Outras penso: "tinha que ser eu pra fazer uma porcaria dessas!"
E assim vai... 
Seja como for, faço quando quero. Quando tenho vontade, sem querer saber se será bom ou não, sem pensar se vai repercutir, se vai causar alguma impressão. É pra mim. Estou conversando comigo. Tive de me forçar a deixar meus colóquios comigo mesma de lado, pois parecia maluca. Parecia! 
Parecia??? 
As pessoas pensavam que eu falava sozinha, quando, na verdade, só estava conversando com alguém interessante, oras! É que os outros são tão entediantes que não conseguem perceber que isso é possível. Poucas pessoas o conseguem. "Só para raros", como diria Hesse. 
É, a modéstia deve ter passado pela rua de cima, e olhe lá!
Está certo. É egocentrismo, eu sei. Mas, como disse antes, ninguém vai ver mesmo. É meu, é pra mim.
Deixemos de lado (percebam a primeira pessoa do plural, como se realmente estivesse conversando com alguém) os motivos - nesse caso, o plural não se encaixa. Deixemos de lado o motivo - que sou eu, só eu - para manter esse blog e vamos para mais um clichê: simplicidade.
Não gosto de nada simples. Chego a ter aversão à simplicidade. Pelo menos em discurso.
Complicações são motivadoras, desafiadoras e, consequentemente, divertidas.
Mas há momentos, formados por simplicidades, em que tropeço no discurso e me vejo sem saber o que fazer, ou dizer.
Uma companhia agradável, uma brincadeira inocente, um pensamento em comum, um par de tênis rasgado e outro ficando sujo... E todo esforço para parecer distante cai por terra. E nem adianta querer disfarçar quando a boca se expande quase que de uma orelha à outra, formando aquele sorriso pateta no rosto; nem há como camuflar a expressão admirada e, apesar não ver meus olhos, aposto e ganho que eles devem brilhar de uma forma ofuscante. Então, uso de um artifício: abaixo a cabeça pra tentar esconder tudo isso. Eu Tento. Acho que não consigo.
Por mais que exalte a complicação, no fim das contas, fico feliz com coisas bobas. 
And that's it!

 Boba semana a todos!


P.S.: Revisando a postagem, vi a Carol por aqui!
Só você que me dá atenção ainda...
Faça-me o favor de comentar.
Bjk e Boba semana.